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sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Sonic Youth - (2008) SYR8: Andre Sider Af Sonic Youth


   Eu deveria resenhar o segundo SYR, pra seguir a ordem, mas esse aqui é tão arrebatador, que merece um comentário à frente.

   SYR8: Andre Sider Af Sonic Youth é um EP ao vivo, com só uma faixa, gravado no Roskilde em 2005, mas lançado só em 2008. A língua usada é o dinamarquês (o festival rola na Dinamarca). Além dos membros normais, Jim O’Rourke tocou guitarra, Mats Gustafsson tocou saxofone e Merzbow fez algo com um laptop. O quê, eu não sei.

   O que pega mesmo nesse EP, é que a única faixa dele, tem 57 minutos. Reflita sobre.

   Não tem muito o que falar, é só barulho, ininterrupto. Um fórum anuncia que “vai machucar suas orelhas” (é o primeiro link da pesquisa, na verdade), e chega perto mesmo, em seu ápice, lá pelos 20 minutos. Kim Gordon até canta no começo, e em alguns outros momentos no decorrer da música, mas no fim, é só mais um jeito agravar o ruído. Além disso, o saxofone, aliado à estática das guitarras, é doentio. John Zorn ficaria orgulhoso.

   Eu achei que um show havia sido feito só pra gravação do disco, mas não, eles fizeram isso no Roskilde, um tremendo festival, até onde eu sei. Fico imaginando a tensão de quem estava lá, pra ver outra coisa, e se deparou com isso. É o mesmo efeito do Lightning Bolt, se formos levar em conta.

   Por fim, é seguro dizer que poucas pessoas vão baixar isso, levando em conta o tamanho da música, e o tamanho do arquivo. Mas vale a pena pra quem gosta de barulho, não necessariamente feito pelo Sonic Youth, e pra quem gosta do Sonic Youth, fazendo barulho.

   

   Pra downloadear: (2008) SYR8: Andre Sider Af Sonic Youth

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Sonic Youth - (1997) SYR1: Anagrama


   Sonic Youth Recordings são EPs lançados pela banda, aparentemente de forma independente e fora da cronologia de discos de estúdio. Basicamente, são experimentações instrumentais, cheias de barulho, exageros e muitos minutos em cada música; reza a lenda que é tudo improviso, além de tudo. São oito SYR até agora, e uma coisa bem legal, é que cada um deles é escrito em uma língua diferente, indo do lituano, no sexto, ao esperanto, no terceiro.

   Isso é um geral, mas o que eu quero fazer é falar de cada um, a começar por Anagrama, o primeiro SYR, inteiro em francês. Como são só quatro faixas, dá pra comentar uma por uma:

   Anagrama tem nove minutos, e mesmo comparada às pirações dos discos anteriores, soa bem diferente. É toda instrumental, aparentemente improvisada, e o estouro, que vem depois de quatro minutos de música, é coisa fina mesmo. Parece algo do Godspeed You! Black Emperor, que vai ficando cada vez mais denso e ruidoso e caótico, mas bastante otimista.

   Improvisation Ajoutée é mais curta, e se formos levar pelo nome, não há dúvidas de que é um improviso. É só uma bateria marcando, quase inaudível, enquanto Lee Ranaldo e Thurston Moore brincam com as guitarras. É só barulho, levado por mundos de pedais, microfonia, estática, e guitarras fazendo o que guitarras normalmente não fazem. É bem bacana, e a cada audição, novos detalhes vão surgindo.

   Tremens (a tradução é exatamente o que parece) é a única que parece ser bem pensada, antes de executada. É quase uma música que o Liars poderia fazer, toda sombria, obscura, e ouso dizer, dumal. A guitarra, a maior parte do tempo, repete um riff que por alguma razão bate fundo quando você ouve a música, e causa nada mais do que tensão. É quase impossível não sentir isso enquanto a música vai se desenrolando. Uma tremenda vitória do disco.

   Mieux: De Corrosion é como Improvisation Ajoutée: barulho. Só que aqui, isso é colocado ao extremo. É puro caos, que não pára um minuto sequer durante os quase sete minutos da música. O nome (melhor: de/a corrosão) não poderia ser mais feliz. Essa é a perfeição pra quem gosta de barulho, mas que não gosta de ouvir outra coisa antes disso. Nada é poupado, inclusive você, da corrosão proposta.

  

   Pra downloadear: (1997) SYR1: Anagrama